Há pessoas que não se aproximam da sua bondade para acolhê-la, mas para descobrir até onde podem explorá-la.
Elas observam o quanto você suporta, quantas vezes perdoa, quanto está disposto a sacrificar e, principalmente, quanto tempo leva para dizer “chega”. Aos poucos, aquilo que você oferecia por carinho deixa de ser recebido como gesto e passa a ser tratado como obrigação.
E talvez essa seja uma das maiores crueldades contra quem tem um coração generoso: fazer essa pessoa acreditar que estabelecer limites significa ter se tornado egoísta.
Não significa.
Há um momento em que continuar cedendo deixa de ser bondade e começa a ser abandono de si mesmo. Porque quem precisa diminuir suas próprias necessidades, engolir decepções e carregar responsabilidades que não lhe pertencem para manter alguém por perto já está pagando caro demais por uma relação.
A bondade precisa de limites, porque existem pessoas que não param quando percebem que estão machucando você. Elas param apenas quando percebem que você não permitirá mais.
E aprender isso não endurece o coração.
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