27 de agosto de 2026

Votar consciente ainda existe?

Votar consciente ainda existe?

Em tempos de eleição, uma frase volta a ser repetida como se fosse um conselho simples: “Vote consciente.” Mas, diante de tantas denúncias, falcatruas, promessas esquecidas e interesses pessoais, fica a pergunta: votar consciente ainda existe?

Será que ainda existe um candidato que realmente valha a pena? Alguém disposto a exercer um mandato pensando no povo, e não apenas no poder, nos privilégios ou na próxima eleição? Talvez exista. Mas encontrá-lo exige muito mais do eleitor do que ouvir discursos bonitos, assistir a vídeos de campanha ou acreditar em promessas feitas às vésperas da votação.

Porém, é muito fácil colocar toda a culpa nos políticos e esquecer que a corrupção não começa necessariamente depois da eleição. Muitas vezes, ela começa antes do voto.

Começa quando alguém troca sua escolha por dinheiro, combustível, material de construção, uma conta paga, uma cesta básica ou qualquer benefício momentâneo. O político que compra um voto está errado. Mas quem aceita vender também precisa reconhecer sua responsabilidade. Afinal, como exigir honestidade de quem foi escolhido por meio de uma negociação desonesta?

E o mais triste é perceber por quanto algumas pessoas entregam quatro anos de poder. Recebem algo que resolve uma necessidade de hoje — quando resolve — e entregam em troca decisões que afetarão saúde, educação, segurança, emprego, infraestrutura e o futuro de toda uma comunidade.

Depois vêm as reclamações: o político sumiu, não cumpriu o que prometeu, esqueceu o povo, não fez aquilo que deveria fazer. Mas quem vendeu seu voto também abriu mão de uma parte do direito moral de cobrar aquilo que negociou.

Voto não é favor.
Voto não é mercadoria.
Voto é responsabilidade.

Talvez ainda existam bons candidatos. Talvez existam pessoas honestas tentando entrar ou permanecer na política. Mas nenhuma democracia melhora apenas procurando políticos melhores. Também precisamos ser eleitores melhores.

Antes de perguntar quanto um candidato pode lhe dar hoje, pergunte quanto uma escolha errada poderá lhe custar durante quatro anos.

Porque algumas escolhas têm consequências.

E, como diz o velho aviso:

“Quem vende a alma para o diabo, não vai querer depois ventilador no inferno, porque não vai ter.”


20 de agosto de 2026

Quando a Bondade Encontra o Limite

Há pessoas que não se aproximam da sua bondade para acolhê-la, mas para descobrir até onde podem explorá-la.
Elas observam o quanto você suporta, quantas vezes perdoa, quanto está disposto a sacrificar e, principalmente, quanto tempo leva para dizer “chega”. Aos poucos, aquilo que você oferecia por carinho deixa de ser recebido como gesto e passa a ser tratado como obrigação.
E talvez essa seja uma das maiores crueldades contra quem tem um coração generoso: fazer essa pessoa acreditar que estabelecer limites significa ter se tornado egoísta.
Não significa.
Há um momento em que continuar cedendo deixa de ser bondade e começa a ser abandono de si mesmo. Porque quem precisa diminuir suas próprias necessidades, engolir decepções e carregar responsabilidades que não lhe pertencem para manter alguém por perto já está pagando caro demais por uma relação.
A bondade precisa de limites, porque existem pessoas que não param quando percebem que estão machucando você. Elas param apenas quando percebem que você não permitirá mais.
E aprender isso não endurece o coração.
Só fecha a porta para quem confundiu amor com permissão para abusar dele.

9 de agosto de 2026

Anulação? Porque?

E todos os dias esperamos por alguma coisa que nos faça acreditar que tudo valeu a pena.

Um gesto, uma mudança, um pouco de reconhecimento… qualquer sinal que justifique tantas renúncias, tantos silêncios e tudo aquilo que fomos deixando de nós mesmos pelo caminho.

Mas existe uma dúvida difícil de calar: até que ponto vale a pena se anular lutando por uma vida que, a qualquer momento, pode simplesmente te esmagar?

Porque lutar por algo é uma coisa. Desaparecer de si mesmo para sustentá-lo é outra.

E talvez uma das coisas mais amargas de aceitar seja perceber que passamos tanto tempo tentando salvar uma história, que esquecemos de perguntar quem estava nos salvando dentro dela.