18 de janeiro de 2012

ANJO DA GUARDA... EXISTE?




Estava agora a pouco conversando com minha amiga Jacque, estávamos conversando sobre alguns fatos chatos de minha vida, nossa que loucura esta minha vida. Ai... Não vou desviar - me do assunto, falávamos sobre anjos. 

Escutei desde pequenina que cada pessoa tem um anjo da guarda, que nos guia pelos caminhos de Jesus, sempre que fazia alguma arte como dizia minha avó: “esta menina é muito arteira”, ela falava isso porque um dia eu e meus amigos de infância, os quais eu sempre achei que fossem meus primos porque todos chamavam minha fofa de vovó também, aprontávamos muito naquela época, uma de nossa arte foi quando nasceu cachorrinhos na fazenda vizinha e o dono mandou cortar o rabinho deles. Mais tarde nasceram gatinhos da gata de um empregado, eu e meus primos amigos resolvemos cortar o rabinho dos gatinhos, Meus avôs tinham o costume de descansar depois do almoço. Aproveitamos esta hora para executar nosso plano, O Toninho me mandou segurar as patas e a Vilma ficaria vigiando e ele cortaria o rabo do gatinho. Sou obrigada a explicar que não existia água encanada, era água de poço e para lavar roupas as mulheres iam até o rio, mas meu avô era um gênio, analfabeto que apenas assinava o nome, mas que tinha uma inteligência que invejaria muitos engenheiros com seus canudos. Meu avô construiu um tanque perto de casa e fez caneletas de bambu que trazia água da bica até o tanque, isso levava horas para encher. Ao lado deste tanque resolvemos cortar o rabinho do gato, o Toninho pegou um serrote, eu segurando as quatro patinhas bem firme e a Vilma tremendo de medo. Toninho pegou um serrote de dentes largos, então os dentes demoravam muito passando no rabinho e o gatinho começou a gritar desesperadamente, o sangue jorrou que nem se enxergava mais onde se estava cortando, entre gritos e sangue, Toninho gritou: “não estou enxergando mais nada”, nessa onda toda tive uma ideia, meti o gato no tanque que a água incolor virou um rio de sangue, trouxe o gatinho de volta para que Toninho terminasse o trabalho, pois tínhamos mais quatro gatinhos para decepar o rabinho e o gatinho gritava mais desesperado, foi quando a vaca foi para o brejo, como diz o caboclo quando está encrencado. 

Ouvi um grito que sempre estremecia quando escutava: “Vera Luciaaaaaaa” vovó só gritava meu nome completo quando aprontava. Só sei que a Vilma fugiu, eu larguei o gato, que no desespero adentrou pelo mato a fora e desapareceu, que até hoje me pergunto do que será que aconteceu com ele. Claro que também corri para o mato, o Toninho já estava lá atrás de uma moita tremendo de medo. A vovó gritava tanto, quando viu o tanque todo machado de sangue, gritava ainda mais, foi até o pomar arrumou a vara de marmelo maior que tinha e disse que uma hora nos teríamos que voltar e ela estaria nos esperando. 

Ficamos horas e mais horas escondidos, a Vilma que era a mais medrosa voltou para casa, escutávamos os gritos dela, logo depois foi o Toninho, mas eu fiquei até não aguentar mais, já estava escuro, com medo, frio e fome resolvi voltar, cheguei até a porta, a empurrei, abriu e pensei que minha avó bobinha deixou a porta aberta, entrei e quando fechei a porta ela estava lá sentada em uma cadeira me esperando, Nossa apanhei tanto que aquela vara de marmelo chegava a grudar em meu corpo, cada puxão parecia que minha pele iria junto. Foi horrível depois a dor e o pior era me lavar na salmoura, ardia muito. Fui para o sótão de castigo não dormiria em meu quarto. A noite quando já tinha pego no sono lá estava minha avó em cima de minha pessoa, me abraçando, chorando e beijando meus vergões, ela sempre fazia isso quando brigava comigo. Eu fazia de conta que nem via, fingia que dormia. 

No outro dia tive que escutar os sermões de meu avô, ele falou que deveria ter ficado e enfrentado meu castigo, pois assim não apanharia tanto, que a deixei mais nervosa ainda porque fugi. Aprendi a enfrentar meus erros com a cabeça erguida e claro ser a primeira a levar o castigo, ser o ultimo era sempre pior. Foi neste dia também que escutei de minha avó que meu anjo tinha feito suas malas e foi embora, pois não me aguentava mais, arregalei os olhos e fiquei apavorada. Rezei tanto, pedi tanto para que Deus me devolvesse meu anjo. Naquele mesmo ano ganhei um quadro de presente com um anjo cuidando de duas crianças, eu dizia que era eu e o meu amigo de fazer artes o Toninho. 

Hoje digo que Deus não devolveu só o meu anjo como me deu mais alguns para ajudar meu guardião tão cansado. Penso que meus avôs foram meus primeiros anjos terrenos, minha primeira professora a qual amava de paixão, minha catequista que me ensinou um monte de coisas, o padre de minha cidade que me deixou fazer a catequese, mesmo recusando a me confessar e tantas outras pessoas que fizeram e fazem parte de minha vida, claro que ele me deu de presente dois anjinhos, os mais lindos lá do céu, que são minha razão de viver. Meu netinho anjo que me ajudou a tomar a decisão mais certa da minha vida. 

Deus me abençoa a cada dia, ele sabe que não fizemos maldade com o gatinho por termos o coração duro, foi apenas ingenuidade de criança.


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